O golpismo de Bolsonaro dá um novo e perigoso passo


É escandaloso que Jair Bolsonaro use duas das três horas de uma reunião com todos os seus ministros para espalhar, novamente, mentiras e falácias sobre o processo eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas, como revela a Capa de VEJA desta semana.

O presidente da República é um golpista de carteirinha. É de conhecimento público seu alinhamento com o golpe de 1964, e com todas as mazelas que os militares trouxeram para o Brasil ao tomarem de assalto o poder por 21 anos.

Como mostrou a revista, 58 anos após o início da ditadura no Brasil, é através delas, as Forças Armadas, que Bolsonaro busca deslegitimar as eleições de 2022. Uma das formas seria obrigar que o resultado – hoje desfavorável ao presidente – seja auditado com ou sem o aval do TSE.

Há meses, ele usa os militares para tentar colocar dúvidas nas mentes brasileiras – especialmente nos radicais da extrema-direita – sobre algo que sabemos estar acima de qualquer suspeita: o sistema eleitoral do país.

Mas o pior mesmo é saber – através dos jornalistas Daniel Pereira e Laryssa Borges – que o golpismo bolsonarista está cada vez mais entranhado no Estado brasileiro. É uma derrota e tanto para a democracia.

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A reportagem mostra que existe eco para as alucinadas teorias da conspiração do presidente da República entre o advogado-geral da União, ministros de Estado, generais da reserva e, pasmem, até da ativa.

O papelão do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira – atacando a cúpula da Justiça Eleitoral e dizendo que as Forças Armadas são ignoradas, desrespeitadas e negligenciadas no Brasil -, mostra como Bolsonaro vem destruindo por dentro instituições do Estado.

É assim que as democracias morrem após o fim da Guerra Fria.

Somada às Forças Armadas, que indicou o vice para a chapa de Bolsonaro, o presidente minou o Coaf, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, entre outros órgãos que são essenciais para um país que deveria buscar se aproximar das democracias mais consolidadas do mundo.

Não é o que acontece. Hoje, sob Bolsonaro, o caminho é inverso. Caminhamos para nos aproximar de países que, ainda hoje, flertam com um viés totalmente antidemocrático.

É o inepto parlamentar Jair Bolsonaro, agora como presidente, fazendo exatamente o que sinalizou que faria a vida inteira, através de sua nefasta trajetória política: rasgar os compromissos republicanos feitos na promulgação da Constituição de 1988.

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