Desenvolvedoras de games do RN ganham destaque no circuito mundial

 Saulo Daniel (e), George Franklin (d) e Ricardo Luiz (centro) comandam a Pippin Games, vencedora de quatro prêmios em 2018 no Rio

Que o universo da gameficação está em muitas áreas do cotidiano moderno, das redes sociais aos variados meios de entretenimento, e é extremamente atraente e rentável, isso qualquer geek já sabe. Mas, o que poucos devem saber é que a probabilidade de um desses games atuais, que rodam em consoles de 2,5 bilhões de aficcionados por jogos online mundo afora, ter surgido em solo potiguar é sensacional. Desenvolvedoras do Rio Grande do Norte também estão inseridas no mercado de games, um segmento que já corresponde à maior fatia da indústria do entretenimento e que deve movimentar até 2023 algo em torno dos US$ 200 bilhões, ultrapassando a indústria cinematográfica.

Allan Marlon
O Dolmen foi um dos poucos jogos brasileiros a aparecer no último evento da Summer Game Festival (EUA), PAX East de Boston (EUA) e na Tokio Sandbox (Japão)

O Dolmen foi um dos poucos jogos brasileiros a aparecer no último evento da Summer Game Festival (EUA), PAX East de Boston (EUA) e na Tokio Sandbox (Japão)


Esse é o caso da Massive Work Studio, uma desenvolvedora de jogos que surgiu em Natal (RN), em 2016, e já tem profissionais espalhados por diversas cidades no Brasil. A empresa conseguiu inserir um jogo nacional no circuito dos grandes lançamentos mundiais. O Dolmen, título épico multiversal da desenvolvedora potiguar, foi lançado no mercado internacional em meados de maio e já está sendo considerado um marco na história dos jogos brasileiros. 

O game tem foco no action RPG espacial Dolmen, e consumiu horas e horas de dedicação de cerca de 25 profissionais de diferentes áreas da indústria de desenvolvimento de jogos para ficar pronto. Em parceria com a Publicadora Austríaca / Alemã, Prime Matter, empresa subsidiária da gigante Koch Media, a empresa potiguar lançou o projeto em 20 de maio, alcançando várias plataformas, como PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series e PC. O Dolmen foi um dos poucos jogos brasileiros a aparecer no último evento da Summer Game Festival (EUA), sendo exibido em outras feiras ao redor do mundo, como a PAX East de Boston(EUA) e a Tokio Sandbox (Japão), com excelente aceitação do público jogador.

“Esse projeto Dolmen foi idealizado na Universidade Potiguar (UnP), em 2016, por  um grupo de amigos que se reuniram com o objetivo de desenvolver um jogo com uma alta qualidade gráfica. Foi uma longa jornada, realizada com entusiasmo, contratando vários colaboradores de todo o Brasil, mas a raiz é potiguar e temos muito orgulho de tudo que foi feito. Finalmente lançamos mundialmente no dia 20 de maio. O jogo encontra-se traduzido para 13 idiomas” comemoram o CEO da Massive Work Studio, Henrique Heltai, e o diretor de arte da empresa, Allan Marlon.

 Dolmen fascina por ser um jogo  soulslike de RPG de ação e ficção científica. Tem como simulação de uma humanidade que colonizou vários sistemas estrelares usando tecnologia de viagens espaciais e manipulação genética para se adaptar às condições. O jogador precisa descobrir os segredos de Revion Prime, distante da principal área habitada da galáxia e que emite radiação diferente de outros sistemas, condição favorável para a existência de elementos raros; bem como contribuir para a evolução das espécies que habitam o Revion Prime.
 
“Gosto de dizer que o Dolmen é o jogo com a maior dificuldade gráfica desenvolvida até hoje no Brasil. Diria que somos o maior em detalhes gráficos, mas também nem se pode dizer que é o mais bonito porque existem artes 2D maravilhosas que já foram lançadas. Então a gente não pode  falar em melhor ou mais bonito. O que eu posso citar é que foi o maior jogo com complexidade gráfica comparado a grandes títulos. De toda forma, é uma grande vitória”, ressalta Henrique Heltai.

Sebrae RN tem apostado no desenvolvimento de jogos

Não é a primeira vez que uma empresa desenvolvedora de jogos do RN ganha projeção. O Sebrae no Rio Grande do Norte tem apostado no desenvolvimento do setor, apoiando startups e empresas iniciantes na concepção de jogos. A Pinppin Games está entre os projetos apoiados. A desenvolvedora independente foca em jogos desenvolvidos na linha casual e midcore com temáticas divertidas e bem-humoradas. 

Allan Marlon
Saulo Daniel (e), George Franklin (d) e Ricardo Luiz (centro) comandam a Pippin Games, vencedora de quatro prêmios em 2018 no Rio

Saulo Daniel (e), George Franklin (d) e Ricardo Luiz (centro) comandam a Pippin Games, vencedora de quatro prêmios em 2018 no Rio


A equipe é composta pelos artistas Saulo Daniel e George Franklin e o programador e Líder Ricardo Luiz. Apaixonados por jogos retro, animes e mangás, tal inspiração é refletida nos jogos do estúdio. Atualmente, contando com dois títulos publicados Kawaii Deathu Desu e Wife Quest , ambos disponíveis para PC e Consoles.  

A Pippin Games percorre esse caminho na área de jogos desde 2017, onde foi finalista no processo de pré-aceleração da Playbor em Belo Horizonte/MG, vencedora de 4 prêmios em 2018 na Game Jam Plus no Rio de Janeiro e campeã na competição de jogos da Natal Game Jam 2019. Kawaii Deathu Desu foi o primeiro jogo lançado pela equipe. O KDD (Abreviação) é um beat’m up minimalista onde criaturas sobrenaturais se encontram encarnadas em fofas e cativantes Idols japonesas. Entre fofinhas e aterrorizantes, essas Idols participam de uma competição pela soberania do submundo. Quem coletar mais almas de fiéis fãs, se torna a soberana.

Suporte

Para que essas empresas conquistem mercado, há por trás, todo um trabalho de suporte e acesso à captação de investimentos viabilizado pelo Sebrae e instituições que integram o ecossistema de inovação do RN. Desde que começou o boom das startups , em 2012, o Sebrae passou a dar atenção especial ao segmento de games digitais. No início, junto com a UFRN, que também iniciou toda uma atuação na formação de profissionais de alto nível para o setor, e, posteriormente, a partir de 2015, quando o Potiguar Indie Games (PONG) foi criado, com a comunidade de criadores, desenvolvedores e empreendedores dessa modalidade de jogos.

Ainda em 2015, a instituição ajudou a viabilizar a primeira missão de empresários de games para a BGS – Brasil Game Show, um dos eventos mais importantes da América Latina, que acontece anualmente em São Paulo. Em 2016, o Sebrae além da missão, viabilizou a participação de empresas potiguares na área de exposição da BGS, o que representou uma oportunidade de vitrine para os produtos digitais potiguares.

“A própria Massive Work Studio estava lá conosco. Nos anos seguintes, essa ação se repetiu, só tendo sido suspensa em virtude da pandemia. Entendemos que o RN tem uma vocação para o setor de games digitais, que integra o segmento de economia criativa. Por isso, temos atuado com prioridade e foco no sentido de melhorar as condições para o surgimento desses negócios, que são altamente especializados, com editais de subvenção, apoio a programas de capacitação, eventos, meetups e nas famosas 'games jams' que ocorrem na sede e que duram um final de semana inteiro, totalizando 54 horas de atividades de muito aprendizado e produção de conteúdos”, conclui Carlos von Sohsten, analista técnico do Sebrae-RN.

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