“Dentro de cinco anos, seremos um dos maiores hospitais do Nordeste”, afirma Delfin Gonzales

 

O Rio Grande do Norte abriga um dos maiores hospitais do Nordeste, referência em imagem e em transplantes, o Hospital Rio Grande, que opera dentro da visão empreendedora de dois grandes grupos que atuam na área da saúde, a Delfin Saúde e Incor Natal. O médico radiologista, Delfin Gonzalez, conta em entrevista sobre os objetivos do grupo e as expectativas para os investimentos a serem empregados nos próximos anos, visando oferecer o que há de mais moderno na área. Contudo, alerta que é preciso que o Poder Público também precisa fazer a sua parte. O complexo hospitalar, na qualidade de hospital geral, é composto pelas mais variadas especialidades, com foco na oncologia, cardiologia, ortopedia, clínico geral e urologia, com um amplo suporte de cirurgias e unidades de terapias intensivas. Com esse perfil, sendo um importante parceiro do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando que tem ampla atuação nos procedimentos prioritários em termos de demandas da população. Natural de Salvador/BA, Delfin Gonzalez recebeu em 2016 o título de Cidadão Natalense outorgado pela Câmara Municipal de Natal. Hoje, defendendo a vacinação da população ele avalia que situações de crise, como a pandemia da covid-19, trazem oportunidades, mas também a necessidade de consciência coletiva. Foi justamente na crise pandêmica, que a nova maternidade de Natal, que leva o nome do médico, foi inaugurada, em outubro passado, anexa ao hospital, numa demonstração de investimentos do grupo que levam a importantes serviços de saúde e leitos de Terapia Intensiva, bem como pediatria, ginecologia e obstetrícia, impactando inclusive os serviços públicos da capital e do Estado. Além disso, o Dr Delfin destaca como o grupo contribui para estado ser hoje referência em transplantes.  

Como o senhor avalia o impacto que a pandemia trouxe para o setor da saúde?
Podemos classificar essa pandemia como histórica porque, mesmo com outras pandemias que já tivemos no passado, essa ganhou proporções especiais, muito mais pela sua velocidade de transmissão. Atingiu o mundo inteiro. Há muito tempo não se ouvia falar de uma doença com essa intensidade toda em termos de pandemia, apesar de que, algumas pandemias não foram tão grandes quanto essa porque não tínhamos tanta facilidade de transmissão. Com essa facilidade mundial, tornou-se muito mais fácil das pessoas terem essa doença.

E, conseqüentemente, a crise sanitária também afetou investimentos?
Afetou investimentos no mundo inteiro. Estamos atuando no dia-a-dia e vimos que, na verdade, a parte financeira apertou muito para toda a população, mesmo porque houve parada de produção.  Porém, eu acredito que na crise é que se cresce. É quando você tem que aproveitar as oportunidades de crescimento e maximizar o que se tem, dentro do possível.

O Grupo Delfin aproveitou oportunidades nesta crise?
Tentamos fazer isso com o crescimento e ampliação de algumas áreas. Então, entramos em obstetrícia, entramos em pediatria, entramos em emergências, exatamente para que pudéssemos atender os anseios da população. 

Estamos em um novo momento da pandemia, coincidindo com uma epidemia de gripe. Como senhor vê esse momento?
Pela facilidade de termos uma transmissão a nível mundial, também há o juntamento, a aglomeração da população, tornando mais fácil e mais intensa a transmissão desse vírus e facilitando muito mais as coisas chegarem a esse ponto. 

Como o Hospital Rio Grande tem lidado com essa realidade, na qual profissionais precisam se afastar por serem infectados?
Temos que dobrar os cuidados com profissionais para que não haja disseminação maior. Porém, há uma dificuldade muito grande de  lidar todos os dias com um vírus e não se tornar portador dele. Quando as vacinas foram desenvolvidas, facilitou o controle, mas ainda temos que controlar o ajuntamento de pessoas em lugares públicos.

O senhor defende então mais rigor nas medidas restritivas?
Eu não diria mais rigor mas, sim, maior cuidado. A parte crítica dessa pandemia passou. Não tínhamos vacina e tínhamos a doença. Hoje temos a vacina, mas também temos a teimosia das pessoas em tentar se antecipar em festividades. É um problema de consciência coletiva.

E quais os investimentos que o Grupo Delfin no estado?
Estamos consolidando o que temos feito nos últimos anos em nossa sociedade e Natal hoje passa ter um parque em ginecologia e obstetrícia altamente atualizado e em  neonatologia também. Com isso, estamos tentando fazer a nossa parte, retribuindo a comunidade aquilo que recebemos dela.

Inclusive com uma nova maternidade inaugurada há poucos meses. Como está a operação da maternidade?
Veja bem, a maternidade segue como esperado, atendendo às expectativas. Trata-se de investimentos cujo retorno não acontece a curto prazo. São investimentos a médio e longo prazo. Porém, o importante é que, no momento, nossa maternidade está trazendo uma atenção cuidadosa e mais criteriosa para nossas pacientes gestantes e seus bebês.

O setor da saúde tem avançado com procedimento que têm se utilizado cada vez mais da tecnologia. O Grupo Delfin tem acompanhado essa evolução?
Temos o objetivo de oferecer o que temos de melhor para nossa comunidade. Desde procedimentos com tecnologia de ponta até atendimentos personalizados, mais humanizados. Nós temos, por exemplo, uma maternidade com neonatologia de UTI para neonatos de alta qualidade com alto critério de cuidados às crianças. UTI em doenças cardíacas, enfim, tudo o que houver de modernidade e que estiver ao nosso alcance, teremos em Natal. 

O Hospital também é referência em transplantes, como estamos nessa área?
Nossa origem foi na área de diagnósticos e estamos agora na área hospitalar. Hoje somos um dos principais hospitais de transplante de medula óssea do país, ficando abaixo apenas de São Paulo, que tem quatro serviços, e Brasília, que tem dois. Nós, com um único serviço, conseguimos implantar qualidade completa aos pacientes.

Existe a previsão de ampliar o leque de transplantes?
Existe sim. Claro que vai depender do momento financeiro que o país vive, porque quando se faz investimentos, precisa ter retorno para que possa reaproveitá-los e reutilizá-los. Depende dessas circunstâncias e também dos nossos profissionais e pacientes. O que for necessário, traremos para o estado. Hoje a maioria dos transplantes não se faz mais fora daqui. São transplantes de medula óssea, transplante hepático, cardíaco que estamos habilitados a fazer aqui no estado. Nossa meta é que dentro de cinco anos seremos um dos dez maiores hospitais da região Nordeste e, dentro de dez anos, um dos maiores do país.

Para que isso aconteça, o que é necessário?
Já temos um dos seis maiores cirurgiões cardíacos do país em Natal e pertence ao nosso quadro de profissionais, o doutor (Marcelo Matos) Cascudo. Ele é altamente especializado em transporte cardíaco, está altamente habilitado a falar. Então, dentro do que for possível, aproveitaremos as oportunidades para intensificar. Já temos convênios e estamos dependendo apenas das circunstâncias hospitalares. Acreditamos que em pouco tempo nó estaremos com todos os métodos sendo utilizados. O Rio Grande do Norte não deve a ninguém lá fora nessa área. Estamos habilitados e em condições técnicas de dar toda segurança aos pacientes. Acho que o que esperamos ter é um olhar mais intenso do nosso governo federal e estadual na área de saúde, porque não adianta ter só tecnologia de ponta. Precisa ser feito o básico. Falta participação maior desses governos com a comunidade.

O que o senhor espera para os próximos anos, considerando ainda esse momento de pandemia?
Eu espero estar aqui nos próximos anos para podermos prestigiar as próximas vitórias. Eu acredito que, como tudo na vida, a pandemia vai passar, claro que vamos ter que nos manter mais rígidos em termos de conduta, em termos de postura com mais responsabilidade no caso de aglomeração e festas e, principalmente, vacinas em nossa comunidade. Estamos com novos projetos pela frente e não vamos divulgar valores para não falar de números não seguros.

 

Postar um comentário

0 Comentários