Datafolha: 43% dos evangélicos avaliam Lula como melhor presidente do Brasil; 19% optam por Bolsonaro

 


 Dados do levantamento quebram a lógica de que evangélicos mantêm majoritariamente rejeição ao petismo e uma predileção ao atual presidente da República.

Dados da pesquisa Datafolha divulgados nesta segunda-feira, 20, revelam que, para 43% dos evangélicos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o melhor presidente que o Brasil até o momento. O valor representa mais do que o dobro registrado para o presidente Jair Bolsonaro (PL), considerado o melhor chefe do Executivo nacional por 19% do mesmo público religioso. 

No total, a pesquisa demonstra que 51% dos brasileiros de todas as religiões observam o petista como o melhor condutor do presidencialismo brasileiro da História. Na lista, também estiveram FHC (7%), Getúlio Vargas (4%), Juscelino Kubitschek (4%) e, pontuando em similar com 1%, José Sarney, João Batista Figueiredo, Dilma Rousseff, Tancredo Neves, Itamar Franco e Jânio Quadros.

Questionados sobre qual o pior presidente que o Brasil já teve, Bolsonaro também tem resultado negativo, com 35% dos evangélicos atribuindo-lhe o título, ante 25% a Lula. Em um eventual cenário de segundo turno, ambos continuam em empate técnico entre os adeptos da fé evangélica: 46% defendem um terceiro mandato de Lula e 44% querem a reeleição de Bolsonaro.

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A pesquisa contou com 3.666 entrevistados maiores de 16 anos, abordados presencialmente em 191 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. Se considerarmos apenas o bloco dos eleitores evangélicos, a margem vai para três pontos.

A tendência revelada pelo levantamento quebra uma lógica disseminada entre lideres religiosos simpáticos ao atual presidente da República de que evangélicos mantém majoritariamente rejeição ao petismo e uma predileção a Bolsonaro. 

Com base religiosa considerável desde sua eleição em 2018, Bolsonaro ainda busca cativar o público para evitar uma queda de popularidade ainda maior. Na última semana, o presidente conseguiu emplacar o objetivo de colocar um ministro  "terrivelmente evangélico" no Supremo Tribunal Federal (STF), após a posse do pastor André Mendonça na corte. 

A atual pesquisa confirma o que vinha sugerido as últimas sondagens. Em todas, Bolsonaro não tem encontrado o mesmo apoio entre evangélicos. No começo do ano, a proporção dos eleitores evangélicos que avaliam mal sua administração era de 30%. Pois subiu para 39%. Na via inversa, os 40% que a aprovavam são hoje 32%.

Em maio deste ano, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quase perdeu o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. A possível ruptura iria acontecer após religiosos manifestarem a falta de respostas diante da deportação de pastores de Angola. O alerta foi feito a partir de pessoas próximas ao bispo Edir Macedo, fundador da igreja, e de congressistas do Republicanos, partido ligado à instituição evangélica.

No Congresso Nacional, cerca de 1/3 da bancada de 33 deputados do Republicanos tem proximidade com a Igreja Universal. O partido tem um ministro no governo federal: João Roma, na pasta da Cidadania. Apesar da cúpula da sigla descartar um rompimento com o governo por causa desse caso de Angola, nos próximos dias, o grupo deve adotar tom mais crítico ao governo.

Os dados também vêm para reforçar a estratégia petista de tentar conseguiu o apoio do eleitor evangélico. No fim de novembro, Lula pediu que o PT não caia na história de que evangélicos "são como se fossem um gado" e recomendou que o partido atente ao perfil do típico frequentador dessas igrejas: pobre, periférico, e com mais mulheres negras do que em outros estratos sociais.

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