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ECONOMIA: Preço dos combustíveis leva motoristas de app e motoboys a desistirem da profissão

Aumento nos preços do etanol e da gasolina faz com que trabalhadores do transporte escolham corridas e deixem as ruas.
Motoristas de aplicativo e motoboys de todo o país estão sofrendo com o aumento expressivo no preço dos combustíveis. Desde fevereiro, a gasolina já registra alta de quase 10%, enquanto o etanol subiu 23%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Juntamente com o agravamento da pandemia, os preços mais altos fizeram com que 25% dos motoristas de aplicativo que trabalham em São Paulo desistissem de prestar serviço. Já os motoboys precisam trabalhar mais horas para compensar os novos valores.

De fevereiro a junho, valor médio nacional do litro do etanol foi de R$ 3,54 para R$ 4,36, enquanto a gasolina passou de R$ 5,12 para R$ 5,69 nos mesmos quatro meses. Ainda de acordo com a ANP, o etanol chegou a custar R$ 2,74 no auge da crise sanitária.

Com a baixa demanda, em maio de 2020 os consumidores viram uma forte queda nos preços dos combustíveis. A redução do isolamento ao longo do mesmo ano levou à normalização desses valores, mas desde fevereiro eles voltaram a disparar.

O grande motivo é a alta dos preços do petróleo, decorrente de um dólar bastante valorizado.

Queda no faturamento

A redução do faturamento começou durante o período de isolamento social, mas agora é causada pela alta nos combustíveis. Um dos efeitos mais visíveis é a redução na frota, já que cerca de 25% dos motoristas de aplicativo deixaram de trabalhar em São Paulo, segundo a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp).

A redução de 120 mil trabalhadores para cerca de 90 mil fez com que os remanescentes começassem a selecionar corridas mais rentáveis.

“Passamos a desaconselhar os motoristas a aceitarem as corridas promocionais, da Uber Promo e 99 Poupa. O repasse ao motorista não paga 1 litro de gasolina”, explicou Eduardo Lima de Souza, presidente da Amasp.

A gasolina responde por 40% a 50% do gasto diário do motorista, que em alguns casos ainda paga pelo financiamento ou locação do veículo. O resultado para os passageiros foi o aumento do tempo de espera.

Mais exposição

Já os motoboys gastam entre 25% e 35% com combustíveis. A Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (Amabr) afirma que a frota da capital paulista aumentou cerca de 40% durante a pandemia. Os profissionais agora precisam rodas mais e cortar gastos para manter o mesmo faturamento de antes.

“O que o motofretista faz é tirar de outro lugar: deixa de se alimentar adequadamente, de fazer a manutenção correta do veículo, trabalha mais horas e corre mais para fazer mais entregas no dia”, afirma Edgar da Silva ‘Gringo’, presidente da Amabr.

O aumento do número de motociclistas na rua também elevou o número de acidentes e mortes entre a categoria. De acordo com dados da Infosiga, os acidentes envolvendo motos na capital paulista aumentaram 56,6%, enquanto as mortes subiram 58,8% de abril de 2020 a junho de 2021.

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