Covid-19 matou mais do que dengue, sarampo e H1N1 somados em 2020

 Cadáver de morto por coronavírus deixa hospital Foto: BRYAN R. SMITH/AFP
Comparado a uma gripezinha por Bolsonaro, coronavírus esteve associado a mais de 900 óbitos desde fevereir.

RIO — A Covid-19 fez mais vítimas fatais no Brasil em 44 dias do que dengue, H1N1, sarampo, chicungunha e zika somadas ao longo deste ano. Segundo o último boletim do Ministério de Saúde, divulgado ontem, 941 pessoas morreram desde 26 de fevereiro em decorrência da doença causada pelo novo coronavírus, que já foi comparada a uma “gripezinha” pelo presidente Jair Bolsonaro.
Em 2020, até 28 de março, a dengue, endêmica no Brasil, provocou 148 mortes. Em período semelhante, o H1N1, vírus que causa um dos tipos de gripe, vitimou 13 pessoas; o sarampo, 4; a chicungunha, 3; a zika, nenhuma (ver quadro abaixo).
Para Guilherme Werneck, epidemiologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), “a situação vai piorar muito, antes de melhorar”, devido à simultaneidade de surtos.
— O pico dos casos de Covid-19 vai ocorrer quando tivermos o aumento dos casos de H1N1, doença para a qual temos vacina. A imunização, no entanto, não é 100% eficaz. Para agravar, temos o aumento dos casos de dengue. Ela não é uma doença que exige UTI, mas há chance de que um grande número de pessoas desenvolva a forma grave da doença — diz Werneck, apontando o isolamento social daqueles que podem ficar em casa como única forma de amenizar a sobrecarga do sistema de saúde. — O mais importante agora é que todos não adoeçam ao mesmo tempo. Precisamos equipar e montar as estruturas para atender a todos os casos graves.

Surto de dengue

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, neste ano, o total de casos de dengue no país até agora é de 484.249, número 15% superior ao mesmo intervalo de 2019. O aumento, ainda que relativamente baixo, é preocupante quando se leva em conta que a curva de crescimento do vírus vem aumentando: em 2019, foram 1.544.987 casos de dengue no país, 488% a mais que em 2018.

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